O PUNHO NO QUEIXO
A fossilização da autenticidade corporativa
A ideia é clara: transmitir seriedade, introspecção e credibilidade. Mas, quando todo mundo repete o mesmo gesto, o efeito é o oposto: a autenticidade se petrifica.
O MANUAL INVISÍVEL DAS POSESErving Goffman (1959): Nos apresentamos em sociedade como atores em um palco. O LinkedIn virou esse palco, e a pose do queixo é o figurino preferido.
Pierre Bourdieu (1979): Hábitos e gestos funcionam como marcadores de pertencimento. No fundo, posar assim virou um "selo simbólico" de quem quer sinalizar: "sou do grupo".
Byung-Chul Han (2015): Vivemos sob a pressão da performance contínua. Cada gesto vira parte de uma vitrine onde precisamos parecer produtivos e reflexivos.
A questão não é rir de quem usa a pose, mas refletir sobre como nos mostramos. Será que estamos realmente comunicando quem somos, ou apenas encenando o que esperam de nós?
O perigo é que, ao repetir padrões, a singularidade vire apenas mais um fóssil visual. Autenticidade deveria ser rara como âmbar jurássico.
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